Publicado por: Daniel Bardan | 21/01/2011

Eu ainda não disse tudo

O poeta Renato Augusto Farias de Carvalho irá lançar o livro “Eu ainda não disse tudo”, d. O evento acontecerá no dia 29 de janeiro de 2011 (sábado), às 10h, na Livraria Valer, situada na Av. Ramos Ferreira, 1195, Centro de Manaus.

“O título de seu novo livro é emblemático e revelador desse diálogo com o que é essencial em si mesmo: Eu ainda não disse tudo. A verdade é que os poemas que compõem a obra resultam desse esforço do “eu lírico” em desvelar a “dor que desatina sem doer”, causada pelos espinhos que latejam na alma. O poema “Rimas vacilantes” é um cantar evocativo dessa nostalgia e dessa inquietude que aflige-lhe o ser: ‘Meu cavalo de tristes madrugadas/ adornam-lhe as feias penas/ a disfarçar dores e chicotadas./ Destino aflito, combalido, sedento de nadas’”.

“Renato Farias é um viajante das águas da memória e, por isso, navega os muitos rios de sua ‘meninice baré/ molhado de um sol ardente/ feito pimenta-murupi’. Rios que convergem para o grande estuário da planície onde nasceu: ‘Aqui me navego por inteiro/ num imenso Amazonas de saudade’. O “eu lírico” sabe da inconstância da humana condição, tem consciência que existir é cumprir a travessia e que o ciclo da vida se cumpre inapelavelmente: e um dia a noite chegará e cobrirá seus olhos de cinzas. O poema “Poucos minutos depois da morte” é epifânico nesse sentido: ‘Terei o sopro de minha mãe/ isso será augúrio, murmúrio/ minueto encantado para um novo tempo’. Como nada é fim, ‘haverá camélia e angélicas/ no meu rico amanhecer’. Em Renato Farias a poesia é um ato de redenção. Também de salvação”.

O autor é irmão do poeta Carlos Farias de Carvalho, que integrou o Clube da Madrugada, Renato nasceu em Manaus, onde viveu parte da sua juventude. Mudou-se para o Rio de Janeiro, onde formou-se em Letras e construiu sua carreira literária. O escritor vive em Niterói há mais de 30 anos. “Sua poesia é tecida com as lâminas do tempo, da memória, das vivências e das viagens. A infância é uma referência em sua obra, concebida como um porto para onde sempre volta. É lá, envolvidos pelas dobras do tempo, que estão os enigmas que nos revelam e nos explicam. Não é no futuro que nos encontramos – é no passado que estamos: onde são tecidos os fios com que se fazem as malhas do presente e do porvir. O escritor francês Marcel Proust expressou esse fato da condição humana com rara beleza e sensibilidade: “Os verdadeiros paraísos são os paraísos que se perderam”. O fato é que, ao voltarmos à estação primeira da existência, já não reencontramos as coisas como eram, mas a atmosfera e o sentido que as fundaram”.

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